Política - AN Jaraguá 22/05/2206
Tom discursivo e críticas no PSol
Candidata a governadora de Santa Catarina pelo partido condena Lula e governador licenciado LHS
Sônia Pillon
Fala em tom de discurso e de forma enfática. Tem um olhar firme e seus gestos reforçam a indignação quando se refere aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Luiz Henrique da Silveira. As características são da candidata a governadora pelo PSol em Santa Catarina, a advogada e ambientalista Tina (Albertina) Rosso, 47 anos. A candidata deu a arrancada da campanha por Jaraguá do Sul, no sábado, durante almoço com polenta realizado na comunidade Santa Ana, no bairro Tifa Martins.Tina, que foi fundadora do PSB por Criciúma, em 1988, partido no qual exerceu duas legislaturas como vereadora, já foi candidata ao governo em 2002. Durante entrevista ao AN Jaraguá, apostou na renovação do cenário político nacional e apontou mazelas da esquerda brasileira. De acordo com a pré-candidata ao governo catarinense, que é natural de Araranguá, o desencanto com o PSB, em 2004 - "fui desfiliada cartorialmente" -, somada à comunhão de idéias com uma das fundadoras nacionais do PSol, Heloísa Helena, fizeram com que ingressasse na sigla em 2005. Em sua plataforma de campanha, promete acabar com a descentralização, ouvir as comunidades de base, lutar pela inserção efetiva de mais mulheres na vida pública, pelas minorias, etnias, pelo consumidor e pela reforma agrária. Sem papas na língua, Tina dispara a metralhadora contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que para ela perdeu a credibilidade não só entre os partidos históricos, que antes o apoiaram, mas também do povo brasileiro. "O PT não cumpre os acordos que faz. Usa os 'pequenos' para eleger os candidatos deles e não cumpre a palavra", afirma. No entender da candidata, Lula "passou a perder a credibilidade com a expulsão da Heloísa Helena, dando continuidade à práticas de governos anteriores, até do tempo da ditadura". O 'Valerioduto' e as denúncias de corrupção no governo, é apenas parte de sucessão de erros. Afirma que a CUT (Central Única dos Trabalhadores) sempre foi o caixa 2 do PT e que Lula não desconhecia o processo. "A maior gravidade foi Lula ter abandonado 70% da população! Traiu a classe trabalhadora e os políticos se aliando à direita. Ele não precisava deles para se eleger", opina.
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'Vou acabar com a descentralização'
A gestão do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que concorre à reeleição, também não é poupada pela candidata do PSol, em especial o sistema de descentralização em vigor. Dentre as arbitrariedades, segundo ela, estão a descentralização e a implantação da penitenciária agrícola de Araranguá, embargada por ser considera área de proteção ambiental."Luiz Henrique criou 51 secretarias e 250 cargos de primeiro escalão. É um governo discriminatório e racista. Pinçou algumas mulheres para fazer fachada. Mas e o resto das mulheres?", questiona. "Que descentralização é essa, que leva do Executivo, mas não do Judiciário, do Tribunal de Contas e do Legislativo? São só cabides de emprego!".Em defesa de seu nome como governadora, Tina Rosso declara, em tom de palanque: "Só eu sei a trajetória que tivemos para chegar até aqui! Fizeram questão de nos manter no anonimato. Represento os trabalhadores e os comunistas segregados. Estamos a serviço dos mais pobres, contra as oligarquias!".Um dos fundadores do PSol em Santa Catarina, o uruguaio Raul Fitipaldi, que soma 33 anos de militância política e no PT chegou a ser secretário do diretório em Florianópolis, lembra que o partido surgiu no Estado en 5 de abril de 2004, no Centro Ecumênico da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). "A formação do PSol está baseada nos jovens, pela renovação e oxigenação política. Apesar de reconhecer que o partido tem projeto a médio prazo no Estado, acredita que é o momento para apresentar uma nova alternativa. "Claro que não é para eleger agora, mas sim para abrir uma janela para o futuro".A coordenadora regional, Vanessa Spiess, admite que o PSol está dividido no Estado, mas minimiza a situação: "Estamos vivendo um problema de 'parto' do partido, com alternativas de inserção popular, contra a velha prática política. Queremos propor ao Estado a esquerda que nunca conheceu".Já o coordenador jaraguaense, Douglas Maçaneiro, explica que o início da campanha de Tina por Jaraguá do Sul não advém do número de militantes, mas sim da atuação em termos qualitativos. "Temos militantes de qualidades ímpares, professores, estudantes secundaristas e representantes dos movimentos negro e indigenista", observa. "Temos marcado presenca nas reuniões estaduais e por isso reivindicamos que a primeira visita da candidata fosse em Jaraguá do Sul", esclarece Maçaneiro, que prevê mais duas passagens de Tina pelo município durante a campanha eleitoral. Formado por 15 filiados, o PSol de Jaraguá do Sul surgiu em 1º de dezembro de 2005.
